Programa de rádio do reverendo Massari. Transmissão radiofônica em frequência modulada, pela OI fm. 2 horas com o reverendo e os "bons sons". Domingos, 22 horas, na OI fm
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F. Massari
Segunda parte de uma suposta trilogia espacial/marciana, “The Jimmy Carl Black Story” apresenta, em clave parajazzística, uma odisséia consideravelmente surrealista pelas quebradas do planeta vermelho. Contatos imediatos incluidos. Projeto de apelo existencial do guitarrista virtuoso e doidão noruegues Jon Larsen, esse segundo registro tem o eterno “indian of the group” (era assim que Jimmy Carl Black se anunciava emblematicamente `a época áurea dos Mothers Of Invention de Frank Zappa) como tema, e como narrador-fantasma de si mesmo! Menos experimentador, estranho que o antecessor “Strange News From Mars”, não poderia haver tributo mais bacana ao cultuado músico texano, morto 5 dias depois de seu lançamento. Jon Larsen e sua superbanda (Tommy Mars é convidado especial nos teclados) ancoram a divertida narrativa numa daquelas fusões da pesada que podem agradar tanto aos amantes do Zappa fase “Roxy & Elsewhere”, quanto aos que se deleitam com as divagações sônico-esotéricas do bom e velho Sun Ra. O índio do grupo vive lá no espaço sideral, provavelmente cruzando vez ou outra com o asteróide 3834 Zappafrank…
F. Massari
São tempos agitados na interzona do novo rock psicodélico e os californianos do Lower Heaven (nome tirado de uma letra do Echo & the Bunnymen) chegam para marcar território. Com produção de Rob Campanella (Brian Jonestown Massacre) e mixagem de Rick Parker (Black Rebel Motorcycle Club), “Ashes” é uma estréia inspirada. Ainda que ásperas, rasgadas em sua execução, as 10 protobaladas ácidas (45 minutos) propostas pelo quarteto do guitarrista/tecladista/vocalista Marcos Chloka , acusam filiação com uma abstrata falange de bandas britânicas de inflexão psych e pegada póspunk, musculosa, tipo Chameleons, Lucy Show, the Sound…sem contar os já citados Bunnymen e Jesus & Mary Chain. Em faixas como “Wave”, “Ashes” e “Rain”, o Lower Heaven acerta a mão na articulação, na harmonia de contagiantes vibrações de apelo pop com as divagações mais exploradoras e viajantes. A baixista Christina Park é destaque, ataca com charme e segurança, e o guitarrista Thomas Danbury é
cúmplice de Chloka no trato de algumas das tramas de guitarra mais legais dessa estranha praça.
F. Massari
Vi meus dois Zappa no Hammersmith Odeon de Londres, em 84. Cada concerto aberto por clássicos muito recorrentes na intensa carreira “live” do músico de Baltimore: “Chunga’s Revenge” e “Zoot Allures”. Os dois adorados temas que encerram “Joe’s Menage”, numeração oficial 84, o quarto da série “Corsaga”, que vasculha os preciosos arquivos zappianos em busca de registros especiais, que exibam diferenciais artísticos e técnicos de relevância transcendente. Nessa oportunidade, Zappa se exibe no College of William & Mary, Virgínia, em novembro de 75. A formação é curiosa, combinando míticos como o baterista impossível Terry Bozzio com os pouco lembrados Andre Lewis (teclados) e Norma Jean Bell (sax), que canta em “Chunga’s Revenge”! Vale lembrar que é 75, período de alegria para os
amantes do Zappa mais guitarrístico. “Ladies & Gentlemen, I’ll now play a rhythm guitar solo…”. Vem mais por aí.
F. Massari
A banda do império do boneco de neve surgiu na “cidade mais isolada do mundo”, Perth, Austrália, está radicada em Londres e é composta por um britânico, um indonésio, um italiano e uma islandesa. E seu segundo registro em longa duração, “The Horse, The Rat and The Swan”, é desde já título
obrigatório nas divagações canônicas que tratam de uma coisa chamada pós-punk (e seus arredores). Vocais dilacerantes, por vêzes assustadores, mais rifferama cortante e precisa em seus estragos. Medo e delírio, Pere Ubu e Unsane… Dá até uma certa pena ouvir depois algumas bandas que se dizem
praticantes desse tipo de “sonoridade”.
F. Massari
Rumo ao oeste com o visionário Kirpatrick Thomas e seus cowboys beatniks. No mais recente longa, “The West”, esses oito magníficos, que integram a rabiscada genealogia dos mui perigosos Brian Jonestown Massacre, nos brindam com fantástica trilha sonora para um hipotético e viajante western psicodélico da alma. Um eco de Pink Floyd aqui, uma vinheta de filme de Robert Rodriguez ali e, de resto, Ennio Morricone, Butthole Surfers e Dandy Warhols se acabando numa jam crepuscular de acidblues com incensos e tequila.
F. Massari
Lá no reino da Dinamarca, a novidade é que no momento não tem para ninguém. O abusado quinteto de Aarhus basicamente atropelou a mezzo parca concorrência com o lançamento, no final do ano passado, de “Girls”, seu longa de estréia. Faixas como “Rave Kenneth”, “Party on the Death Star”, “666” e “Let’s Talk About Sex” fazem valer a auto-proclamação de “banda de gênio”. São petardos lapidares de novo rock urgente na linha de um Kaiser Chiefs muito fora da linha, ou de um híbrido defumado de Arctic Monkeys com Queens of the Stone Age.
F. Massari
Salve A(nnie)-Claude Deschênes e seus comparsas de Duchess Says. De Montreal, com selo de denominação de origem garantida e controlada Alien8. Arrebatadora estréia em álbum desses alucinados praticantes de um certo dancepunk. Moogcore de responsa, synthpunk corrosivo. Difícil ficar indiferente. Para amantes de X-Ray Spex, Melt Banana e Le Tigre. Coisa finíssima.
F. Massari
Ia ser mesmo difícil manter Tom Mayne e sua brigada de nome esquisito naquela abstrata categoria dos “segredos bem guardados” dos palcos alternativos britânicos. Um par de singles e as disputadas apresentações ao vivo já davam conta do crescente culto em torno da banda radicada em Londres. Com a chegada do bombástico debute “Bluebeard’s Rooms”, as coisas devem, deveriam mudar. Na melhor tradição opositora de um Mark Smith ou de um Billy Childish, Tom Mayne destila sua verve narrativa em antifolks alucinados e corpulentos. “I Couldn’t Get Off” é como um punk-western do The Fall com vocais do Alan Vega (Suicide). “Runaway Pram” tem a urgência do melhor Clinic. E “My Best Friend’s Going Out” é um clássico instantâneo do rock inglês.
F. Massari
Nathan “Nabob” Shineywater e Rachel “Rabob” Hughes saíram do Alabama e montaram a barraca na perdição do norte californiano. Um lance de aproximação com as raízes “indígenas”, incremento espiritual para a confecção do freakfolk cósmico por eles proposto – com chancela de qualidade Will Oldham, que os levou para a estrada bem no começo da carreira. Esse segundo álbum, em que se destacam os ventos quentes e sedutores do Fender Rhodes de Rabob, deve agradar aos saudosos do Mazzy
Star mais viajante, mas tem lá seus momentos de trilha de David Lynch. Podiam gravar um split com os nossos Os The Darma Lóvers…
F. Massari
Balanço de fim de ano bastante positivo para a lendária etiqueta britânica 4AD. A safra 08 do selo concebido por Ivo Watts-Russell, então funcionário da Beggars Banquet, no final dos 70, garante alguns dos melhores lançamentos discográficos da temporada. A casa que lançou, dentre outros, Bauhaus, Birthday Party, Cocteau Twins e Pixies, continua acertando no cardápio e mantem firme seu apego ao aspecto gráfico dos lançamentos. Continua fácil identificar um 4AD… Destaque para “Dear Science” (TV On The Radio), “Fordlândia” (Jóhann Jóhannsson), “In Ear Park” (Department of Eagles) e, principalmente, “Microcastle”, a estréia do Deerhunter no selo.
Nesse terceiro longa, a cultuada banda de Atlanta reapresenta seu “ambient punk” (idéia deles) de forma vigorosa e emocionante. A matriz é a do indie rock mais classudo, as tramas são bem elaboradas e revelam aqui e ali pequenos achados guitarrísticos, e o carismático vocalista Bradford Cox chega junto em pequenas gemas como “Never Stops” e “Nothing Ever Happens”.
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Versão remixada da coluna mensal publicada pela revista Rolling Stone. Indicações discográficas e divagações afins.
Podcast semanal apresentado por Fabio Massari e Lúcio Ribeiro.
Gravado nos estúdios da Amauri, em São Paulo, e transmitido pelo IG. Batalha de sons, conversas estranhas e as incríveis Sessions.
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