Programa de rádio do reverendo Massari. Transmissão radiofônica em frequência modulada, pela OI fm. 2 horas com o reverendo e os "bons sons". Domingos, 22 horas, na OI fm






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Fábio “Reverendo” Massari. O que representa esse nome? Para aqueles que gostam de música e acompanharam a trajetória da MTV Brasil, principalmente no final da década passada, Massari é referência do que há de melhor e mais exótico no mundo da música. Um dos mais respeitados jornalistas do meio musical, Massari lançou no final do ano passado seu segundo livro, Emissões Noturnas – Cadernos Radiofônicos de FM, que conta suas primeiras entrevistas da fase em que comandava o Rock Report, programa que foi ao ar na rádio 89 FM. Trazendo desde figuras míticas (como Slash, do Gun’n'Roses e os Ramones) até ídolos do underground musical (Nick Cave e Kim Gordon, do Sonic Youth), o livro é uma boa amostra do que houve de melhor no rock internacional na primeira metade dos anos noventa, além de ser uma das poucas publicações de qualidade feitas no jornalismo musical brasileiro atualmente. Numa entrevista cedida com exclusividade para Fraude, Massari fala sobre sua segunda aventura no mundo dos livros, planos para outras publicações, MTV, rádio, curiosidades da sua carreira – tudo isso, é claro, regado a várias conexões musicais. Boa viagem nas próximas páginas pela massariana, essa mistura de jornalismo com os bons sons de todo o mundo.

Fraude – O Emissões Noturnas é seu segundo livro. Quais as suas intenções com ele?
Fábio Massari – Esse segundo livro é um tributo ao rádio de um modo geral, porque é um meio que sempre me interessou, onde eu trabalhei bastante e, mais especificamente, é também um resgate da memória do meu programa de rádio, Rock Report, que eu apresentei na 89 FM de 91 a 96. Então o livro é uma espécie de cronologia das programações e as principais entrevistas registradas.

Fraude – O livro tem uma capa bem bonita, deixando o Emissões Noturnas com um aspecto de material de pesquisa. Como foi a concepção dessa idéia?
Massari – Eu tive essa idéia porque como eu estava efetivamente mexendo com arquivos, estava trabalhando com material de 10, 12 anos atrás e, nessa época, digamos assim, a gente está falande de fitas cassete, período pré-internet. Então as coisas eram armadas por fax – tenho arquivos datilografados, manuscritos. Eu queria que o livro tivesse mais ou menos essa cara de material vasculhado, arqueologia, arquivos e coisas do tipo. Daí, juntamente com um cara chamado Daniel Mota, que faz a parte gráfica da Revista Zero, tentei transformar essas idéias de arquivo num lance gráfico bacana e acho que ficou bem legal mesmo, acertou na mosca.

Fraude – Dentre as entrevistas do livro, de quais voce guarda as melhores lembranças?
Massari – Olha, o que eu acho legal dessas entrevistas é que são de fato as minhas primeiras. Era uma outra época, voce estabelecer contato, correr atrás das entrevistas era uma coisa um pouco mais aventureira, digamos assim. Então quando você conseguia bater um papo por telefone com, sei lá, com o Bobby Gillespie, do Primal Scream, isso era muito bacana, era uma espécie de conquista. E também a possibilidade de você trocar as primeiras idéias com artistas que você vem acompanhando há um tempo. Eu gosto da [entrevista] do Nick Cave, gosto da do Bobby Gillespie, tem entrevistas bem interessantes. E tem aqueleas também que você esperava menos, esperava, sei lá, uma coisa, não sei se um pouco mal humorada. O Slash do Guns’n'Roses, por exemplo. Quando eu o entrevistei, o Guns’n'Roses era o top, só se falava em Guns’n'Roses. E daí todo mundo: “Pô, será que ele vai ser legal com você?” E na verdade o Slash foi muito gente fina, uma das grandes entrevistas do programa. Então cada entrevista tem seus méritos, tem seu destaque.

Fraude – Uma curiosidade: no início do seu livro você diz que foi aluno do Serginho Groisman…
Massari – (risos) O que é engraçado, eu botei até para provocar curiosidade mesmo. O Serginho foi meu professor na faculdade, ele deu aula durante alguns anos numa faculdade aqui em São Paulo, na Faap. Ele foi o paraninfo, se não me engano, da minha formatura. Mas foi de fato ele que me botou no que eu considero meu primeiro emprego oficial mesmo. Foi ele que me encaminhou pra 89. Uma vez, numa festa, a gente tava lá, ele falou: “Pô Massari, vou te dar um toque pra lá pra 89″. Eu falei: “Falou, tudo bem”. Três ou quatro dias depois me chamaram pra tocar uma idéia, aí comecei a trabalhar, isso em 87.

Fraude – O que você acha da frase do jornalista Nelson Motta, que uma vez disse que o sucesso dele no jornalismo musical se devia ao fato dele só falar do que gostava?
Massari – (risos) Não saberia dizer. No meu caso especificamente, o que se faz notar é o meu entusiasmo mais do que qualquer coisa. As pessoas falam “Ah, sabe tudo, enciclopédia”. Primeiro que eu nunca falei de tudo. Eu acho que as pessoas pensam isso pelo meu interesse, pelo prazer com que trato desses assuntos. Por exemplo, no âmbito da TV, mesmo no âmbito da rádio, eu falei de muita coisa que eu não gosto, mas não necessariamente vou falar mal porque não gosto. Quer dizer, tem várias nuanças aí que podem ser abordadas pra tratar desse assunto. Na verdade, a briga tem que ser pra que a atividade da crítica musical, do jornalismo musical, seja tratada com mais seriedade do que ela é tratada normalmente. Que do ponto de vista literário/jornalístico, o prazer de um bom texto tenha a música como assunto principal. Acho que isso é o mais importante.

Fraude – Já passa pela sua cabeça fazer um terceiro livro? Quem sabe sobre a sua época da MTV, mais especificamente sobre o Mondo Massari…
Massari – Com relação à MTV, eu já notei que muita gente que saiu da tv fala: “Ah, vou fazer um livro sobre a MTV”. Acho uma tarefa quase impossível, muito difícil fazer um livro com uma voz única sobre a MTV. Até porque está se falando de uma instituição, de um universo de pessoas etc. Teria que fazer uma coisa meio polifônica, várias vozes. E eu também, por enquanto, não tenho nenhuma intenção de fazer um livro que conte histórias ou coisas da MTV, até porque está meio quente ainda, qualquer coisa viria meio impressa com essa carga de ter trabalhado lá 12 anos. Tem outro projeto de livro, posso adiantar que é uma coisa nesse sentido de arquivos, tipo o Emissões Noturnas, mas uma coisa mais “espalhada”. Coisas da Irlanda, com terroristas irlandeses, escritores, algumas coisas de música. Tenho também alguns outros projetinhos. Sempre tem meu projetinho de Frank Zappa, não sei exatamente no que vai dar, mas algum livrinho deve sair daí. Tenho também projetinhos pra livros que tenham a ver com a cena independente brasileira. E também acho legal pensar em publicar livros de outras pessoas. Mas pra viabilizar tudo isso preciso vender bastante o Emissões Noturnas pra poder bancar o próximo.

Fraude – E como você encara ser chamado de Reverendo? Quem inventou esse título?
Massari – O responsável pelo “Reverendo” foi o bom, velho e lendário Luis Thunderbird. Foi o Thunderbird que botou o apelido, bem no começo ali da MTV. Nunca soube exatamente o motivo específico do apelido, mas também nem perguntei pra não saber. Isso é coisa do Thunder e ficou, é engraçado porque muita gente me chama de Reverendo, e pessoas que não me conhecem me chamam de Reverendo. Eu acho divertido, não acho nem um pouco ruim.

Fraude – Você falou dos seus projetos para alguns livros, mas tem mais alguma coisa que você anda preparando atualmente, na área de rádio ou TV?
Massari – Então…até por causa dos livros…Quer dizer, eu sempre gostei muito de rádio. A idéia do livro era prestar um tributo por esse prazer mesmo, e é claro que eu tenho interesse em trabalhar em rádio. Mas pelos últimos anos na 89 terem sido muito intensos, porque além do Rock Report eu era o coordenador – e sei que ser chefe é meio complicado, principalmente em rádio. Daí fiquei um tempo sossegado, por um tempo não queria nem chegar perto de rádio. Eu engavetei alguns projetinhos de rádio… estou vendo agora o que é que emplaca pra esse ano. Mas a idéia é, pelo menos nesse ano de 2004, fazer mais alguns livrinhos, alguma coisa minha, mas vou tentar publicar de outras pessoas.

Fraude – E o que você acha sobre o jornalismo musical na mídia brasileira atualmente?
Massari – Acho que o importante é que a atividade seja tratada com seriedade. Acho meio pentelho, meio chato ficar comparando com lá fora, os Estados Unidos etc. Mas, de fato, em vários lugares tem uma tradição de jornalismo musical, de literatura rock’n'roll ou algo parecido. Uma tradição que é levada a sério, as livrarias com prateleiras enormes com vários tipos de livros. E aqui no Brasil a nossa biblioteca musical – não estou nem falando de rock, estou falando biblioteca de música em geral – é muito fraquinha, o que é uma pena. Eu acho que tem muita gente boa que poderia estar escrevendo e que, de alguma maneira, há o interesse do público. É claro que de alguns tempos pra cá tem aí alguns livros, mas se você pensar bem, o Paralamas do Sucesso, pra dizer uma banda grande e famosa, demorou quase 25 anos pra ganhar sua primeira biografia. Sem contar as inúmeras bandas independentes, os cenários, as cenas, os acontecimentos, os personagens que poderiam ser fruto de um livro. Minha onda com o livro talvez seja uma coisa pessoal, de formação, mas eu acho que é divertido, legal como instrumento de cultura. Tem gente fazendo um bom trabalho, mas eu acho que ainda é um pouco isso, alguns heróis tentando cavar seu espaço.

Alguns temas

Fraude – Islândia
Massari – Pô, Islândia é o fim do mundo, mas é um lugar divertidíssimo, louquíssimo… O fim do mundo que eu digo é que o país tem toda uma cara apocalíptica, é um país vulcânico, em cima de placas tectônicas e o povo de tradição quase selvagem, mas ao mesmo tempo ultra cosmopolitas, muito dinheiro, muito livro, muita cultura, muita banda… então, uma visita à Islândia é um verdadeiro choque.

Fraude – Sobre seu primeiro livro, Rumo à Estação Islândia.
Massari – Rumo à Estação Islândia já era um projeto que eu tinha de fazer um livro, uma espécie de caderno de viagem por algum país que tivesse como personagens principais os discos. Eu cheguei a pensar nisso pra Austrália, Nova Zelândia, até Israel eu pensei em fazer. Todos esses lugares têm uma cena musical interessante que dá pra ser explorada. E aí a Islândia também estava nos planos e por uma série de fatores acabou rolando.

Fraude – MTV.
Massari – Olha… minha visão sobre MTV a essa altura do campeonato é no mínimo surrealista. Eu passei quase um terço da minha vida lá dentro, 12 anos trabalhando na tv, de forma bastante intensa. È claro que, como eu tinha dito numa entrevista num desses especiais de fim de ano na tv, dependendo da sua formação roqueira – no meu caso mais especificamente o rock, o punk – a MTV pode ser um inimigo. Inimigo no sentido corporativo etc. Agora, na MTV Brasil, a gente vê a possibilidade de buscar caminhos, de procurar fazer um trabalho bacana que passasse por cima da idéia da logomarca globalizada MTV e conseguir dar um tempero especial. E acho que a MTV brasileira consegue fazer isso, tanto que é reconhecida como uma das melhores MTVs do mundo pelas próprias MTVs.

Fraude – Mondo Massari e Lado B
Massari – O Mondo Massari era o talvez meu grande projeto ali na MTV. Era o projeto em que eu apostava bastante, porque eu achava – ainda acho – que potencialmente é uma boa idéia, os bons sons de vários lugares do planeta. E a tv apostou, mas apostou médio. Tanto que só durou um ano. A promessa no começo era de que o programa ia acontecer de uma maneira e aí, à medida que a gente foi fazendo, as coisas não foram dando muito certo, do ponto de vista televisivo. Daí o programa terminou. Como eu dizia, era um projetinho que me agradava bastante, mas televisão é meio assim mesmo. O Lado B foi apresentado por várias pessoas: o Thunder, a Soninha, o Kid [Vinil]… Eu apresentei durante bastante tempo e acho que é uma exibição dentro da TV que serviu pra formar a consciência musical de muita gente. Desde banda grande até pessoas desconhecidas. Acho que isso era mais do que eu esperava ali, em qualquer momento.

Fraude – Frank Zappa.
Massari – Frank Zappa é um homem, né? Eu não tenho essa relação obcecada e maluca com ídolos etc. mas acho que ele é o cara que fez o maior estrago, no bom sentido, artístico, musical e estético na minha vida. A descoberta dos sons e… enfim, acompanhar, buscar os discos e as histórias. A missão zappiana tem valor importante pra mim.

Fraude – Seguindo a linha do Rob Fleming, personagem do livro Alta Fidelidade do Nick Hornby, qual seria o Top Cinco de álbuns que poderiam definir o Fabio Massari?
Massari – Isso aí é daquelas mais complicadas. As listas, eu sempre faço listas também, essa coisa de listas… Eu morei na Inglaterra em 84, 85, e isso já era uma mania mais do que estabelecida, pela tradição dos ingleses de fazer listinha. O Nick Hornby, especificamente, não descobriu a roda, mas fez muito tradicionalmente… ele que impôs essa marca das listas. Sei lá, os cinco discos… Frank Zappa, Joe’s Garage… eu poria alguma coisa do Blondie, que é uma das minhas bandas prediletas, Plastic Letters, Parallel Lines, qualquer um desses está valendo. Butthole Surfers, Psychic Powerless, grande disco… Sei lá, é Radio Birdman, punk australiano ali, qualquer coisa deles tá valendo. E deixe ver… botar um brasileiro aí, qualquer um do Raul também tá valendo.

Fraude – Pra terminar, qual seria missão massariana?
Massari – A missão massariana? Pois é, uma historinha engraçada, uma vez aquela banda Urge Overkill, da música do Pulp Fiction, teve aqui no Brasil num desses Hollywood Rock, se não me engano, e eu acompanhei os caras, fiz entrevista e tudo. E aí, no final, quando eles tavam indo embora, eles me deram uma medalha de ouro do Urge Overkill. Eles falaram: “Pra todo lugar que a gente vai a gente leva uma medalha de ouro e uma medalha de prata pra dar para as pessoas mais legais que a gente encontra”. Aí um dos caras falou: “Vou te dar essa medalha de ouro porque você está na missão”. E aí a missão é mais ou menos essa: falar dos sons e quando alguém cola em mim e diz: “Pô, comprei tal disco por sua causa” ou “gosto, descobri isso por sua causa” acho que tá valendo. A missão não é muito ambiciosa não, a missão é curtir os bons sons e dividir o prazer dessa curtição com quem quiser ouvir.

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Caros Amigos: Só No Site Entrevista Fabio Massari

Se alguém conhecer rock mais do que ele, que se apresente. Nesta conversa, Fábio Massari deixa entrever por que é tido como o maior conhecedor do assunto no país. Sabe de bandas não só de cada Estado brasileiro como do mundo todo, de lugares tão diferentes entre si como Islândia, Japão e Itália. Para ele o rock, que traz no espírito e na ponta da língua, é uma música que “fala contra alguma coisa, como fala de amor”.

Talvez por essa devoção ao rock, Massari merecesse o apelido que ganhou do colega Thunderbird num dos 4.380 dias em que trabalhou na MTV: Reverendo.

No site Caros Amigos

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Os novos sons do sul

Nos últimos meses, Curitiba tem sido citada como lugar efervescente da nova cena de música independente do País. O surgimento de uma série de bandas de rock na capital do Paraná tem recebido efusivos elogios da crítica especializada. Longe de formar um movimento uniforme, o agrupamento de bandas de rock em Curitiba, pelo contrário, vem se destacando devido ao ecletismo dos grupos, que vão do rock para dançar do Copacabana Club ao peculiar folk com sotaque paranaense do Charme Chulo, passando, ainda, pelo som eletrônico do duo Je Rêve de Toi.

No começo do ano, um minifestival reuniu as bandas Sabonetes, Copacabana Club, Ruído/mm e Heitor e Banda Gentileza na casa de shows Inferno, um dos redutos da cena indie de São Paulo. Curitiba também tem marcado presença no Poploaded Session, programa dedicado às novas bandas do cenário independente, transmitido pelo portal iG. Desde a criação do programa, apresentado pelos jornalistas Fabio Massari e Lúcio Ribeiro, somente São Paulo e Recife tiveram mais representantes no Poploaded Session do que Curitiba.

Para Massari, autor de livros como Detritos Cósmicos, Conrad Editora (sobre Frank Zappa), e Emissões Noturnas (Grinta Cultural), a cena curitibana tem se…

continua no site da revista BRASILEIROS

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no Poeira Zine

no poeira zine

no poeira zine

Leia a entrevista aqui

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no site Rabisco

no site rabisco

no site rabisco

RABISCO: SENHORAS E SENHORES: O REVERENDO!

O Rabisco aproveita a passagem de Fabio Massari por Santos e troca uma idéia com esse poço de conhecimento.

leia a entrevista no Site “O Rabisco” #39

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na Revista Outra Coisa

Entrevista com Massari feita por Tiago Velasco para a revista+CD Outra Coisa, ano IV, nº 18/06.

Entrevista com Massari feita por Tiago Velasco para a revista+CD Outra Coisa, ano IV, nº 18/06.

Outra Coisa – Vamos falar de festival. Você tem albuma história bacana de festival?

Massari – Na Dinamarca cruzei com o Nick Cave, que eu já conhecia do Brasil. Ele fez uma puta festa, veio apresentar a PJ Harvey, que era a namorada dele na época. Não deu entrevista para nenhuma televisão, só para nós, porque eu já tinha entrevistado ele para a rádio, tinha tomado umas pingas na padaria com ele. Uma vez, um cara descobriu que a MTV Brasil estava lá e implorou para ser entrevistado. Era nada mais nada menos que o Danny Elfman, que era do Oingo Boingo. Ela adorava o Brasil. O cara pedir para ser entrevistado é engraçado. Não é um Zé Mané, é um cara importante.

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OC – Você deve ter boas histórias da época em que trabalhou em rádio.

FM – Uma vez, fiquei a madrugada inteira botando som na rádio com o Joey Ramone. Numa das vindas dos Ramones, como sabíamos que o Joey gostava de fazer isso, convidamos e ele topou. Entramos no ar antes da meia-noite e saímos às 6h. Às 4h, tinha gente ligando. Ele tomou duas garrafas térmicas de chá, botou Motörhead, Stooges, Ramones, contou história, foi antológico. Ele ficava sentado num canto só pegando nos discos, olhando as capas, parecia uma criança com uns brinquedinhos nas mâos.

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OC – O que você acha das bandas brasileiras independentes?

FM – Sempre me diverti muito com os independentes brasileiros. De uns dez anos para cá, esse mercado está muito bacana, muita banda boa, discos legais, shows e festivais bacanas, acontecendo. A exposição, infelizmente, é limitada.

OC – O que falta para elas deixarem de ser independentes?

FM – Fora mercados muito estabelecidos, como EUA e Inglaterra, a vida dos independentes é difícil em qualquer lugar. Em São Paulo, se você quiser ver show, toda noite tem. Se você quiser se divertir no underground, está bem mais fácil do que já foi. Hoje, cabe a pergunta: será que precisa deixar de ser independente? A meta continua sendo entrar para uma grande gravadora e emplacar alguma música num lance mais comercial ou será que a independência pode garantir a sobrevivência comercial e o delírio artístico? Tem independente que está muito bem, com boa distribuição, com boa produção. Independência não quer dizer dizer não ter dinheiro. Vejo as bandas fazendo bastante show. Não dá para saber se os caras recebem. Mas tem banda que toca bastante, eles conseguem se virar, dá para sobreviver.

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