Programa de rádio do reverendo Massari. Transmissão radiofônica em frequência modulada, pela OI fm. 2 horas com o reverendo e os "bons sons". Domingos, 22 horas, na OI fm






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na Revista Outra Coisa

Entrevista com Massari feita por Tiago Velasco para a revista+CD Outra Coisa, ano IV, nº 18/06.

Entrevista com Massari feita por Tiago Velasco para a revista+CD Outra Coisa, ano IV, nº 18/06.

Outra Coisa – Vamos falar de festival. Você tem albuma história bacana de festival?

Massari – Na Dinamarca cruzei com o Nick Cave, que eu já conhecia do Brasil. Ele fez uma puta festa, veio apresentar a PJ Harvey, que era a namorada dele na época. Não deu entrevista para nenhuma televisão, só para nós, porque eu já tinha entrevistado ele para a rádio, tinha tomado umas pingas na padaria com ele. Uma vez, um cara descobriu que a MTV Brasil estava lá e implorou para ser entrevistado. Era nada mais nada menos que o Danny Elfman, que era do Oingo Boingo. Ela adorava o Brasil. O cara pedir para ser entrevistado é engraçado. Não é um Zé Mané, é um cara importante.

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OC – Você deve ter boas histórias da época em que trabalhou em rádio.

FM – Uma vez, fiquei a madrugada inteira botando som na rádio com o Joey Ramone. Numa das vindas dos Ramones, como sabíamos que o Joey gostava de fazer isso, convidamos e ele topou. Entramos no ar antes da meia-noite e saímos às 6h. Às 4h, tinha gente ligando. Ele tomou duas garrafas térmicas de chá, botou Motörhead, Stooges, Ramones, contou história, foi antológico. Ele ficava sentado num canto só pegando nos discos, olhando as capas, parecia uma criança com uns brinquedinhos nas mâos.

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OC – O que você acha das bandas brasileiras independentes?

FM – Sempre me diverti muito com os independentes brasileiros. De uns dez anos para cá, esse mercado está muito bacana, muita banda boa, discos legais, shows e festivais bacanas, acontecendo. A exposição, infelizmente, é limitada.

OC – O que falta para elas deixarem de ser independentes?

FM – Fora mercados muito estabelecidos, como EUA e Inglaterra, a vida dos independentes é difícil em qualquer lugar. Em São Paulo, se você quiser ver show, toda noite tem. Se você quiser se divertir no underground, está bem mais fácil do que já foi. Hoje, cabe a pergunta: será que precisa deixar de ser independente? A meta continua sendo entrar para uma grande gravadora e emplacar alguma música num lance mais comercial ou será que a independência pode garantir a sobrevivência comercial e o delírio artístico? Tem independente que está muito bem, com boa distribuição, com boa produção. Independência não quer dizer dizer não ter dinheiro. Vejo as bandas fazendo bastante show. Não dá para saber se os caras recebem. Mas tem banda que toca bastante, eles conseguem se virar, dá para sobreviver.

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