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Detritos Cósmicos - Zappa
Music is the best Shut up 'n' play yer guitar
DAS EPÍGRAFES: A INESCAPÁVEL MÁXIMA, a sentença moral por excelência; e um mote existencial predileto: o "Music is the best", deliciosamente proferido pela barbarélica garota do ônibus – como amávamos Dale! – na espetacular "Packard Goose", encerra todo o segredo deste universo: é com a Música, Ela é que é importante. E, apesar do prazer ulterior, o resto é só conversa. "Shut Up'N'Play Yer Guitar" é igualmente simples em sua sabedoria universal: do mesmo extrato cósmico-filosófico de "Get Off Of My Cloud" e "Kick Out The Jams", com algo da ética do faça-você-mesmo e o não me perturbe/não me atrapalhe do punk, vale para qualquer simples mortal, de guitarra em punho ou não: faça a sua parte. Faça o seu! Não lembro da primeira música ou do primeiro disco de Frank Zappa que ouvi. Deve estar registrado em algum arquivo...menos acessível da tal da memória. A bolacha (talvez um cassete?), em determinado dia, nessa ou naquela condição, com (ou sem) tais pessoas... A investigação “twilight zone” continua! Mas tenho clara a imagem do camarada voltando de um role americano, virada de 79 para 80, com duas dezenas de vinis – eles brilhavam – e alertando: temos que prestar atenção nesse novo do Zappa (até então, o “doidão”, “estranho”, “interessante” que conhecíamos de audições isoladas de bolachas como Hot Rats e Over-Nite Sensation). E como consumimos esse Joe’s Garage, todos os três atos da emocionante balada distópica de Frank Zappa e seus cometas. Uma babel de assuntos “quentes” por (re)descobrir/explorar e uma galáxia de bons sons de fora do tempo, de todos os tempos... Era a revelação não exatamente de um novo mundo, mas de uma nova maneira de ouvi-lo. E aquelas Guitarras? De onde vinham? Como? Para onde? As coisas realmente não foram mais as mesmas depois de Joe’s Garage, e essa espécie de nova coordenada sônica (seminal) decreta, provavelmente, a abertura dos trabalhos da minha missão zappiana (com abstrata denominação de origem controlada e garantida pelo próprio “projeto/objeto” zappiano, com sua “continuidade conceitual” e tudo!). A idéia do livro como projeto autônomo, dentro do grande livro de projetos de livro(s), é do começo dos anos 90. O lastro, a base para os projetos passou a ser minha entrevista com FZ, de 91. E três publicações foram fundamentais como referência nas experiências, nos rabiscos de orientação “conceitual”: a edição especial da revista RE/Search dedicada ao escritor inglês JG Ballard (original de 84, 5ª ed., 91), um tributo em forma de coletânea de artigos, entrevistas, textos e bibliografia; The Starry Wisdom – A Tribute to H. P. Lovecraft (Creation Books, 94) obra organizada por D. M. Mitchell que reúne 23 colaborações em texto e ilustração “inspiradas” na obra do cultuado sobrenaturalista; e, como referência ativa, a revista/livro italiana SONORA (edição 4/94), cujo número especial dedicado a FZ surgiu das conversas/divagações entre este autor e o editor, capo Giampiero Bigazzi, da legendária organização florentina Materiali Sonori. Em sua introdução GB lembra que “a idéia inicial era reunir alguns artigos partindo da entrevista de FM.” Ações e revoluções nas páginas do grande livro de projetos, a idéia do almanaque em múltiplas vozes acabou levando primeiro. Este livro: um tributo, brasileiro, ao músico de Baltimore. Simples assim. Estão aqui reunidas as duas entrevistas de Frank Zappa ao Brasil. E estão aqui reunidos cerca de quarenta apreciadores da sua música (vida e obra!), dispostos a conversar a respeito. Com Zappa sempre houve curiosa polarização (não se fica indiferente): uma categoria do contra, com forte tendência ao clássico não-ouvi-mas-já-não-gosto (o que é sempre divertido e costuma dizer muito a respeito de ambas as partes); e os “amantes” de Frank Zappa, em suas múltiplas derivações... É garantido: você só precisa de um par de riffs, pode ter apenas dois ou três discos na coleção, ou pode ter baixado (subido?) uma dúzia de músicas no seu computador (provavelmente vai acabar querendo muito mais) – a conversão é rápida e a curiosa vibração “familiar” que envolve essas pessoas se faz sentir de imediato. E costuma vir para ficar. Dos comparsas co-autores: alistados com o mesmo apelo: depoimento (declaração) do tipo página de diário, que revelasse algo da viagem pessoal de cada um com o homem de bigode e seus sons fantásticos. Crônica maluca, ensaio psicodélico, parajornalismo... Desopilação protopoética geral e informação caleidoscópica, pela causa!, numa conversa coletiva sobre a experiência frankzappiana de cada um e de todos nós. Se alguém ouvir um FZ por essa causa e der aquele sorrisinho maroto, estamos felizes. É essa só a fase 1 do projeto zappiano geral? Thanks for coming to the concert tonight...
(continua)
Fabio Massari Vesúvio-SP/06 |
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